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8 de ago de 2012

CONSCIÊNCIA NEGRA OU BRANCA?


Conciência Negra? 

                   


Que negros foram esses pardos, que construíram com sangue mulato os caminhos cafuzos desse Brasil moreno?
O legado negro nesse Brasil mesclado de cores e raças é incomparável. Não se está falando de atabaques, capoeira, pimenta ou acarajé. Está se falando de gente, raça, cultura, força, trabalho, construção de uma identidade nacional. Está se falando de quem ergueu a poder de chibatas, dominados por uma sub-cultura leviana e desumana, fruto da obtusidade cerebral de fidalgos europeus, que baseados na podridão cultural do eurocentrismo, subjugaram não apenas os negros, mas os nativos, os descendentes destes e todo o legado cultural que aqui se ergueu antes da infeliz chegada dos “colonizadores” cristãos.

Passaram-se anos para que o branco percebesse seu eterno engano. Para que o brilho da raça mãe da humanidade refletisse na alma dos desalmados sua própria alma. Descobriu-se, pois, a poder de muita luta, que o negro tinha essência humana. Que o escravo era gente, tinha idéias, poder de concepção e argumentação, e talvez sua passividade ante a desgraça, não passasse de fruto da benevolência de seu instinto humano ou sobre-humano.

A página mais suja da história desse país relata o genocídio da escravidão e hoje quem vagueia nos porões imundos da insensatez, são aqueles que descendem daquela linhagem de algozes que um dia levantaram as mãos sujas de sangue para punir no pelourinho os que com seus próprios sangue e suor, construíam as torres de seus castelos e alimentavam o ócio de sua empáfia.

Distribuir cotas, oferecer bolsas de miséria, criar um estatuto para eles, tornar crime o crime de racismo que já constituía crime moral em quem tinha e tem sensibilidade humana, não repara o fosso que foi escavado entre uma e outra geração, diante de brancos sujos de sangue e negros de alma branca, suados do trabalho árduo da construção dessa pátria verde amarela, que exalta nas suas cores, Braganças e Habsburgos , dinastias encardidas que diziam-se brancas e que suprimiram por séculos o direito de sorrir de todas as cores.

Quantos escravocratas não foram abolicionistas? Falar bem do negro está na moda. Inclusive dá voto. Não é a miséria a que estão submetidos que incomoda ou sensibiliza as gravatas. É o espaço que ocupam na falsa mídia que atrai os fidalgos burgueses sedentos de “ibopes”. Na miséria estamos todos. Miséria econômica, política, moral e social. Miséria humana. Nossa pobreza é tamanha, que em pleno século 21 ainda estamos discutindo se negros e brancos são iguais.

Precisamos urgentemente de um dia mundial da consciência branca. Para que todos os que se dizem descendentes dessa raça, possam parar para refletir sobre seu papel na sociedade. Sobre o que fizemos e o que estamos por fazer. Para que possamos nos redimir ( se é que isso possível) do pecado moral que pesa na nossa consciência, pelo que produzimos contra nossos irmãos.

Quer saber? Eu acho que entre brancos e negros há pelo menos um quesito que o tornam diferentes: negro nunca duvidou que branco fosse gente!





CB PM MARCOS TEIXEIRA

Sociólogo e Acadêmico de direito - 20 de Novembro, da consciência negra.

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POEMAS DE BETO NAZÁRIO (VIVA, MIL VEZES VIVAM)

Um viva aqueles
que indigestos são seus nomes
a mesa de quem nos governam
um viva aqueles sem nome
um viva aqueles que mesmo farto
morrem de fome.

Fome de justiça,
fome de quem não come,
fome do homem
fome da mulher
Fome mesmo daqueles que não quer.

Dos que fingem estar morto,
torto...
mais torto de desgosto
um viva aqueles
um viva literalmente pra eles.

Mais quando expressar-se "VIVA...",
digamos um viva aos mortos
e aos vivos.
pois dos mortos,
tiramos o néctar da flor,
sim aquela flor do amor
QUE MESMO FRÁGIL,
suporta o mal,
e sacoleja o mundo.

E quando abalados pelos caprichos,
que ousam bater em nossas portas.
gritamos viva aos desalentos,
gritamos viva ao descontentamento,
que diante do vento,
visto que certamente
mudará o caprichoso tempo,
e ecoará mais uma vez o NOSSO VIVA.
VIVA...
MIL VEZES VIVAM...


Beto Nazário.

POR ONDE ANDA MEU PÁSSARO

Hoje enquanto dormia
sonhava
que de passos leves caminhava
quando de longe
um grande pássaro
me acompanhava.

E nas batidas de suas asas
simbolizavam
ilusões e angústias
maquiavelicamente incomodava.

Como sem nada
esse pássaro
derrepentemente
volta-se ao sol
e um açoite
ecoa no ar.

O encarnado passou a desbotar
os homens com telhados de vidros
com famintos interesses
negam-se a amar
negam-se a compartilhar.

E nas batidas das asas
do grande pássaro
me vi leve e confuso
através do seu voar
que mesmo junto
no arco-íris,
daltônico...
tive que me acostumar
é solitário o caminhar.

Vai amigo pássaro
e voa para bem longe
e quem sabe um dia
um dia quem sabe
poderemos nos encontrar.

E nas batidas de tuas asas
torna-ciei forte
o velho encarnado
como o azul do MAR.

"E TODOS OS ESTILINGUES VIRARAM SUTIS VIDRAÇAS."




Beto Nazário.

MULHER NORDESTINA HEROÍNA DESDE MENINA

Mulher

A Mulher Nordestina
heroína desde menina
apregada a mainha
como quem não quer nada
abnegada,
aprende a lidar
lidar com a vida,
com a vida lidar.

No entardecer do dia
bem mais tarde do que podia
aniquilada, mais não menos forte
à sorte fica a indagar
se um dia antes de morrer
como uma criança
vai poder brincar.

Nasce já como adulta
criada na labuta
o labor..é seu maior amor

Desperta muito cedim
cantando como um passarim
olê mulher rendeira
olê mulher rendar,
será que um dia
antes de morrer
como uma criança
vou poder brincar?

A mulher Nordestina
é mesmo uma heroína
desde de menina.

Nasce como uma planta
morre como uma flor
sem pétalas, sem rimas
dar seus frutos ao mundo
mais não desatina.

A Mulher Nordestina
desde de menina
é incansávelmente
uma verdadeira heroína...

Beto NazÁrio