Loading...

Translate

Loading...

Pages

17 de dez de 2013

ANDRÉ O RABEQUEIRO NUM PAIS DE ESQUECIDOS

Ha muito ele se foi, mais quem de nós não se lembra de André o Rabequeiro? Que animavam-nos quando crianças nas ruas do centro da cidade com sua Rabeca encantada tocando modinhas de carnaval e musicas folclóricas para a alegria de todos. 

Mais como é de praxe em nossos Governos nossos Artistas sem nenhuma intenção nem tão pouco pretensão se tornara invisíveis e esquecíveis com o passar dos tempos e André Rabequeiro ficara só na lembrança de criança de nós adultos.



ANDRÉ E A RABECA QUE ENCANTAVA HOMENS E MENINOS


André, nosso velho e rabequeiro André, 
passou a vida a tocar sua tristeza 
pois poucas vezes o via sorrir, 
mas sua rabeca sorria por ele,
nas canções de alegrias sem o perceber André sorria,
sorria quase parecendo se ferir,
pois alegrava aqueles que tinham o porque sorrir...

Quando criança muitas vezes o vi tocar
meus olhos paravam em seu semblante de tocador viajante
porque pra mim André não tinha família, não tinha casa
era como se fosse um passarinho que cantava após sair do ninho
André nos alegrava,
e nós meninos empolgados dançávamos
embalados pelas lindas músicas de André.

Hoje as ruas do centro da cidade
os meninos perambulam,
os transeuntes passam com os olhares atentos a procura de André
a procura da mais harmônica melodia
as calçadas reduto dos shows de André,
tornaram-se mais largas,
deixaram de ser palcos
para se tornarem na verdade simples calçadas.

Mais André partiu,
tal qual como apareceu,
sem rastos,
sem som,
sem nenhuma melodia em seu nome
sua rabeca silenciosamente foi-se indo...
e como num encanto
desencantado André se foi...




Tenho dito,


Beto Nazário





0 comentários:

POEMAS DE BETO NAZÁRIO (VIVA, MIL VEZES VIVAM)

Um viva aqueles
que indigestos são seus nomes
a mesa de quem nos governam
um viva aqueles sem nome
um viva aqueles que mesmo farto
morrem de fome.

Fome de justiça,
fome de quem não come,
fome do homem
fome da mulher
Fome mesmo daqueles que não quer.

Dos que fingem estar morto,
torto...
mais torto de desgosto
um viva aqueles
um viva literalmente pra eles.

Mais quando expressar-se "VIVA...",
digamos um viva aos mortos
e aos vivos.
pois dos mortos,
tiramos o néctar da flor,
sim aquela flor do amor
QUE MESMO FRÁGIL,
suporta o mal,
e sacoleja o mundo.

E quando abalados pelos caprichos,
que ousam bater em nossas portas.
gritamos viva aos desalentos,
gritamos viva ao descontentamento,
que diante do vento,
visto que certamente
mudará o caprichoso tempo,
e ecoará mais uma vez o NOSSO VIVA.
VIVA...
MIL VEZES VIVAM...


Beto Nazário.

POR ONDE ANDA MEU PÁSSARO

Hoje enquanto dormia
sonhava
que de passos leves caminhava
quando de longe
um grande pássaro
me acompanhava.

E nas batidas de suas asas
simbolizavam
ilusões e angústias
maquiavelicamente incomodava.

Como sem nada
esse pássaro
derrepentemente
volta-se ao sol
e um açoite
ecoa no ar.

O encarnado passou a desbotar
os homens com telhados de vidros
com famintos interesses
negam-se a amar
negam-se a compartilhar.

E nas batidas das asas
do grande pássaro
me vi leve e confuso
através do seu voar
que mesmo junto
no arco-íris,
daltônico...
tive que me acostumar
é solitário o caminhar.

Vai amigo pássaro
e voa para bem longe
e quem sabe um dia
um dia quem sabe
poderemos nos encontrar.

E nas batidas de tuas asas
torna-ciei forte
o velho encarnado
como o azul do MAR.

"E TODOS OS ESTILINGUES VIRARAM SUTIS VIDRAÇAS."




Beto Nazário.

MULHER NORDESTINA HEROÍNA DESDE MENINA

Mulher

A Mulher Nordestina
heroína desde menina
apregada a mainha
como quem não quer nada
abnegada,
aprende a lidar
lidar com a vida,
com a vida lidar.

No entardecer do dia
bem mais tarde do que podia
aniquilada, mais não menos forte
à sorte fica a indagar
se um dia antes de morrer
como uma criança
vai poder brincar.

Nasce já como adulta
criada na labuta
o labor..é seu maior amor

Desperta muito cedim
cantando como um passarim
olê mulher rendeira
olê mulher rendar,
será que um dia
antes de morrer
como uma criança
vou poder brincar?

A mulher Nordestina
é mesmo uma heroína
desde de menina.

Nasce como uma planta
morre como uma flor
sem pétalas, sem rimas
dar seus frutos ao mundo
mais não desatina.

A Mulher Nordestina
desde de menina
é incansávelmente
uma verdadeira heroína...

Beto NazÁrio