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22 de mar de 2017

QUANDO O POETA PARTIR O BRASIL PERDERA-SE PELO CAMINHO

E AGORA JOSÉ?    E AGORA VOCÊ?        E AGORA VOCÊS?






Três belas indagações,

Hoje, 
porém, são trágicas, 
indefinidas, improváveis...
frutos da nossa inquieta ignorância,
da nossa imatura pseuda intelectualidade.

Ontem...
o poeta interpelava o tempo,
sem tempo para lamentos,
o poeta cantava, não tinha tempo para lágrimas
muito embora, se esbarrotasse de sentimentos,
o poeta sorria, era só contentamento.

Os atos nobres dos nobres
dão vez a estupidez
a insensatez 
daqueles que corroem
o já fragmentado momento,
que trazem lamúrias 
permeadas de sofrimentos.

O poeta se foi,
partiu daqui sem deixar rastros,
galopeou suas lágrimas 
no lombo d'um robusto jumento.
o poeta se desmoronou por dentro,
vendo se-ir o riso 
que lhe mexia
e lhes dava acalento.

O poeta viu os vis menoscabar o brilho,
desnortear os trilhos,
lacrimejar e embaçar os cílios.

O poeta viu, 
e infelizmente,
nocauteado 
não reagiu
Temeu e Temer...

fora apunhalado sem piedade,
quando os versos 
deu vez ao inverso
perversos...
vermes velhacos.

Num amanhã,
Não tão distante,
O tinido das panelas 
perderam-se o eco,
e os espertos viraram 
insignificantes mané.


Se fosse ontem seria poético...


Beto Nazário






Tenho dito,

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POEMAS DE BETO NAZÁRIO (VIVA, MIL VEZES VIVAM)

Um viva aqueles
que indigestos são seus nomes
a mesa de quem nos governam
um viva aqueles sem nome
um viva aqueles que mesmo farto
morrem de fome.

Fome de justiça,
fome de quem não come,
fome do homem
fome da mulher
Fome mesmo daqueles que não quer.

Dos que fingem estar morto,
torto...
mais torto de desgosto
um viva aqueles
um viva literalmente pra eles.

Mais quando expressar-se "VIVA...",
digamos um viva aos mortos
e aos vivos.
pois dos mortos,
tiramos o néctar da flor,
sim aquela flor do amor
QUE MESMO FRÁGIL,
suporta o mal,
e sacoleja o mundo.

E quando abalados pelos caprichos,
que ousam bater em nossas portas.
gritamos viva aos desalentos,
gritamos viva ao descontentamento,
que diante do vento,
visto que certamente
mudará o caprichoso tempo,
e ecoará mais uma vez o NOSSO VIVA.
VIVA...
MIL VEZES VIVAM...


Beto Nazário.

POR ONDE ANDA MEU PÁSSARO

Hoje enquanto dormia
sonhava
que de passos leves caminhava
quando de longe
um grande pássaro
me acompanhava.

E nas batidas de suas asas
simbolizavam
ilusões e angústias
maquiavelicamente incomodava.

Como sem nada
esse pássaro
derrepentemente
volta-se ao sol
e um açoite
ecoa no ar.

O encarnado passou a desbotar
os homens com telhados de vidros
com famintos interesses
negam-se a amar
negam-se a compartilhar.

E nas batidas das asas
do grande pássaro
me vi leve e confuso
através do seu voar
que mesmo junto
no arco-íris,
daltônico...
tive que me acostumar
é solitário o caminhar.

Vai amigo pássaro
e voa para bem longe
e quem sabe um dia
um dia quem sabe
poderemos nos encontrar.

E nas batidas de tuas asas
torna-ciei forte
o velho encarnado
como o azul do MAR.

"E TODOS OS ESTILINGUES VIRARAM SUTIS VIDRAÇAS."




Beto Nazário.

MULHER NORDESTINA HEROÍNA DESDE MENINA

Mulher

A Mulher Nordestina
heroína desde menina
apregada a mainha
como quem não quer nada
abnegada,
aprende a lidar
lidar com a vida,
com a vida lidar.

No entardecer do dia
bem mais tarde do que podia
aniquilada, mais não menos forte
à sorte fica a indagar
se um dia antes de morrer
como uma criança
vai poder brincar.

Nasce já como adulta
criada na labuta
o labor..é seu maior amor

Desperta muito cedim
cantando como um passarim
olê mulher rendeira
olê mulher rendar,
será que um dia
antes de morrer
como uma criança
vou poder brincar?

A mulher Nordestina
é mesmo uma heroína
desde de menina.

Nasce como uma planta
morre como uma flor
sem pétalas, sem rimas
dar seus frutos ao mundo
mais não desatina.

A Mulher Nordestina
desde de menina
é incansávelmente
uma verdadeira heroína...

Beto NazÁrio